Tem dias que eu daria tudo para morrer por uns dias.
sábado, 1 de agosto de 2009
"Quem mói no aspr'o não fantaseia" (JGR)
Com os olhos opacos e o meio-sorriso que não se percebe amarelo, ela acorda todos os dias. Levanta sem vontade e ainda com sono e passa pelos mesmos lugares cinzentos. Cumprimenta algumas pessoas com uma simpatia quase sincera, finge que não vê outras tantas, foge para não ser vista por outras. Chega ao destino, cumpre tarefas, volta pra casa, pelos mesmos caminhos. Tarde da noite se deita, seu único alívio, e chora com o peito completo de dor por não saber o que fazer com a violência da vida que pulsa dentro dela e não consegue sair.
terça-feira, 14 de julho de 2009
Um dia, ao arrumar meus armários, jogar fora os velhos papéis e rasgar as recordações, vou encontrar algo que realmente importa, algo verdadeiramente essencial. E então, com uma dor imensa no peito, vou chorar por não poder voltar no momento em que guardei aquilo.
Armários são muito perigosos.
domingo, 12 de julho de 2009
Da poesia me resta o silêncio e apenas o silêncio, que é esse vazio entreversos. Da poesia me resta a violência brutal no meu peito, que é dor e é vontade e é desejo e é saudade e é qualquer coisa que não pode ser dita. Da poesia me resta tudo, exceto: palavras num papel.
e toda poesia todas as cores do dia todos os dias de sol tudo terá sempre um pouquinho de seu
meu menino mel
sábado, 14 de março de 2009
acho que não quero mais chorar os mortos tão mortos dentro de mim o vazio de não lembrar de mais nada no corpo na alma em qualquer lugar que eu possa sentar e chorar e chorar no seu colo muito pequeno e chorar sobre a morte e a vida e a falta de escolha e necessidade de ser eu mesma a terra sempre a engolir os mortos a toda hora a todo segundo eles se vão dentro de mim e dentro de mim há espaço pra vida e há espaço para ser para sempre essa vontade de recomeçar de redescobrir-se e ser e ser e ser
de todas as belezas já ditas de tudo já vivido de todas as horas que passei por aí
do meu corpo, nem devasso nem santo do meu peito, campo vazio das pessoas que eu não conheci